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quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Vida justa, amor e Amor... Carmen Monteiro

Que a vida é justa,ok,já me foi dito e repetido e também assimilado por mim, obviamente,com exceções e a escolha consciente é viver diante e apesar daquilo não programado.
Difícil prática.
Que o amor é estreito e o Amor é largo,ok também, sei disto na pele, nos ossos, com a idade e com conhecimento de um e ou desconhecimento de ambos, não sei...mas, saber e viver ainda tem muita distinção.
Que certos olhos me tocam, sim, foi um espanto até para mim que jurei , de pé junto, não me meter mais em relacionamentos de espécie alguma.
Todos os santos são testemunha que mesmo com sede, me prometi que desta água, nunca mais, foi quando pedi paz, Luz e centramento pra vida que os  filhos escolhessem viver, saúde para a família, ajuda pra quem precisa de solução difícil, enfim,pedi tudo isto e muito mais como também pedi sossego...
Que este sorriso ora me atrai, ora me entristece, ora me aborrece e ora me diz tanto deste ser ao mesmo tempo que nada sei... sim, isto deve ser parte da minha parte imaginosa de viver afinal, como um sorriso estático pode fazer surgir tantas faces  e tantos sentimentos revirando tantas águas ?
Vem uma hora  no dia que me digo, sim, a cada dia um dia a se viver, cada problema uma solução ou uma desistência ou entrega, a cada noite um sonho, uma insônia,um despertar, a cada refeição , uma escolha do que e quanto se come, a cada dia trabalhado a esperança de dias mais amenos ,a cada discussão a necessidade obrigatória de mais harmonia entre as pessoas , a cada dor do corpo, uma libertação da alma ,  a cada oração, um pedido de proteção à família, um por um lembrado dia a dia ,e a cada meditação um descanso em mim mesma num genuíno prazer.
Só que daí,como negar a porta ser escancarada, já que restou semi-aberta?
Como evitar o coração sorrir, a conexão se fazer e a imaginação se dar conta do quão livre  ainda se vive apesar das amarras da ilusão ?
Escolhido o momento, a vivência do desapego , a impermanência  , a paz e o Amor.
Eis que surge algo que começa a dar vontade que seja mais mesmo que se saiba na pele que nada é quando tudo é . Mesmo que também se saiba que nada do que serve aos homens, serve a Deus pois o Amor, aquele com letras maísculas sim, este é  largo é amplo, irrestrito e infinito e minha promessa foi deste Amor viver.

A roda da vida surge em cartas de tarot e novamente me lembra que tudo gira  sem parar,
... ciclos e ciclos de um tempo não linear que assolam a todos nós...

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Rimas criadas entre vidas e mortes...

“ E estas são as principais perguntas: por que você escreve. Por que você escreve exatamente dessa maneira. Se você quer influenciar seus leitores. E se quer. E se quer - em que sentido tenta influenciá-los. Que função exercem suas histórias. Se você apaga e corrige o tempo todo ou deixa o texto fluir direto de sua inspiração.(...) você escreve à caneta ou usa um teclado? E quanto você ganha mais ou menos com cada livro? Você vai buscar material para suas histórias em sua imaginação ou na vida real? Suas histórias são autobiográficas ou ficcionais? (...) Existem respostas espertas e existem respostas evasivas. Respostas simples e diretas não existem.”

Este primeiro apanhado de reflexões do livro RIMAS DA VIDA E DA MORTE, de Amós Oz já foram o suficiente para me pegar em armadilha.

Armadilha esta que me deixei prender nestas e noutras suas reflexões enquanto o personagem principal, um escritor apresentado nas suas primeiras páginas imagina personagens e histórias complexas originadas nos encontros casuais de pessoas desconhecidas que vai encontrando em seu caminho.

Entre a garçonete que ganha nome e personalidade e ganha também uma história de romance com outro personagem imaginado, a todas as artimanhas que vão embolando personagens, pensamentos e sofrimentos humanos entre desejos e negações nos percebemos dentro de uma rede imaginária de recém criadas vidas que se entrelaçam com a vida do próprio escritor personagem.

Não tem como não se apaixonar pela narrativa.
Não tem como não beber sedentamente da fonte do interligado e complexo enlevo que um autor se propõe e nos propõe a cada linha escrita a cada reflexão do humano mais humano pensar.

Só lendo e vivendo cada passagem, cada interligação, cada pensamento, cada desejo e cada sofrimento deste livro é que se entenderá o caminho de um escritor como Amós Oz no que me parece uma brincadeira dele com sua própria escrita para conosco, já que seus outros livros respiram mais profundezas que este.

Porém, é necessário dizer que este citado livro me sugere o momento em que um autor se permite brincar de escrever sem perder sua capacidade de perceber o humano.

Participar desta brincadeira da criação me trouxe um quê imaginoso de intimidade com o autor, como se eu estivesse junto a cada linha surgida de novas características de seus personagens o que me fez prazer ler e viver através destas mesmas criações partilhando seus dramas que se tornaram (ou já eram) muito meus em muitas linhas.

Sincronicamente enquanto escrevo, revejo na tv o filme “Antes do por do sol”, que fala do tempo metafórico entre o nascer e o por do sol. Fala sobre encontros, desencontros e reencontros onde um dos personagens é um escritor. Mesmo que não seja o mote deste blog, denuncio este filme como um filme a ser visto lentamente, pensando nas conversas que podemos ter em reencontros desta vida, ou podemos nunca mais ter se continuarmos fugindo de nossos “acasos”.

Até porque como diz a Ruchale Reznik, personagem do livro citado:

“Eu por exemplo, já não acredito mais em acasos. Nos últimos tempos há momentos em que de repente tenho a impressão de que tudo que acontece- tudo mesmo, sem exceção...- mas não sei bem explicar. Não lhe parece às vezes que nada, nada mesmo, acontece por acaso?”

Agora endossada pela imagem do acaso que este escritor descreve através da sua personagem, volto ao meu convite a você para que leia e viva através das
RIMAS DA VIDA E DA MORTE, de Amós Oz, da Companhia das Letras e depois me conte o que achou!

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Leio e vivo e pronto e ponto final ou travessão?

Vivo lendo e leio vivendo desde que me lembro gente. Não que eu seja gente como eu gostaria, gostaria de ser bem melhor do que sou, mas tento melhorar, juro que tento e uma das ferramentas que uso é a leitura.

Vivo lendo e leio vivendo. Torno-me tantas letras e tantas emoções que fico me perguntando por que raios não fui eu que escrevi aquelas linhas que dizem tanto ou tão pouco de mim?

Comecei lendo o que me davam na escola, em casa através das mãos do meu sábio pai, através das visitas a casa da vó também sábia, esta professora de formação.


Comecei também ouvindo causos da roça da minha linda mãe.

Livro vivo de ensinamentos e cultura brasileirissima.

Comecei lendo e testemunhando que vim de uma família que lê muito e há muito tempo e não só lê como escreve, como vi o livro da minha tia em sua estante e me disse que um dia o meu também estaria numa estante.

Minha proposta pra você é ler e viver comigo as linhas que li e vivi.

Ganhei dois livros, grandes livros para ler neste final de semana.

Ganhei na sexta. Sábado a noite já tinha devorado um deles.

Amós Oz.

Falo dele e deles na próxima.


Só adianto que rimar é algo mágico nesta vida.

RIMAS DA VIDA E DA MORTE- AMÓS OZ (Companhia das Letras) me chamou a atenção mesmo antes da morte fazer parte de um momento doído da vida da minha semana passada em diante.

Por isto, digo que leio e vivo e também vivo e leio.

Há sincronicidade nas letras vividas!

Este poderia ser o ponto final, mas parafraseando um amigo distante ou presente... chegamos então ao travessão!